18 de abril de 2017

É LÁ FORA

Está escuro lá fora
Aqui dentro, infinito
Procuro na cama
o que encontro na lua

Está chovendo la fora
Aqui entro, silêncio
Encontro na na lama
mas procuro na tua

Está barulho lá fora
Aqui dentro, vazio
Procuro no escuro
o brilho da lua



O QUE É ISSO, MEU BEM?

Eu queria poder falar
a língua morta dos homens
a que se esconde por debaixo
da boca sorridente

Interpretar minúcias,
balbúrdias, falácias,
e pedir lento o que engole
as almas e os intestinos da gente

Eu queria ser dona do silêncio,
rainha do entardecer
navegante de todas as águas
senhora dos espaços vazios

Descamar as flores de cada palavra
Arrancar-lhes os dedos e tendões
de cada raiz então forte
Alcancar os vermes e o doente

Eu queria ver sem lupa
o horizonte gentil e fraco
de todos as almas
donas de rostos felizes

Acolher a lágrima que que cai leve
para secar antes do pranto
do desespero nu, das verdades
e dos medos por trás do crente

Eu queria um céu vazio e limpo
para rabiscar certezas incoerentes
e um espaço para escrever saudades
medo da morte, velhice, varizes

Ver o barulho despertar os cansados
ouvir verdades saltarem no caos
que se irrompe em ventos sutis e firmes
Buscar madrugadas no dia mais quente

Eu queria poder falar
a língua morta dos homens
a que se esconde por debaixo
da boca sorridente

17 de abril de 2017

'OH' DE PRINCIPIANTE

Se é dia, ela dança escondida:
No escuro da vida é que se põe.
Fazendo em mim nascer a dúvida,
sacudindo o escuro mais bonito

O que é mais bonito que a lua?
me pergunto, orfã do relento
como que deixada em outra terra
por castigo ou por descuido

Ali encontro outro mundo
onde posso ser viajante
divagar no espaço e dimensão
conhecer de mim o mais profundo

Se desprego a atenção um instante
não sofro danos daquele ar vagante
Ela me espera sempre onde alcanço
Flutuando no galáctico manso

Ali encontro aconchego
ou me recolho em pranto;
e todas as perdidas canções,
ali eu encontro no encanto

Revirando os olhos e os dentes
numa boca sorridente, suspiro lento.
Admiro, desejo e balanço no céu,
luz minguante, boa nova, vida cheia

Quando olho para a noiva da noite
O tempo me pertence,
se me perco ela está lá
Atenta bailarina a me fitar

Drama à sério
Dela não sou vigilante,
sou pirata, sou poeta,
astronauta em alto mar, sou amante

Salto à alma, solto a cama,
quando a nuvem vai
e a noite vem sou prisioneira
do brilho a me açoitar

Com ela não sou gênero
não sou cor, não sou carne
Por causa dela não sou coisa
Nem sou gente

DIA-NOITE

Tem dia na vida que falta estrela
Tem dia na vida que fica sem lua
Tem dia que falta ar
Tem dia na vida que fica sem brilho
tem dia que sombra inteira

Tem dia que é noite
e esfria n'alma da gente:
o sol que queima la fora
aqui dentro reflete latente
e o calor fica preso no estômago

Tem noite que vira o dia
Tem frio que não há o que esquente
tem neve sobrando inteira
n'alma que outrora era estrela
Tem dia que demora a ser noite
tem vida que passa ligeira.

NA LUA

Tem gente que vive na lua
mas se parar para pensar, faz muito sentido
porque viver e lua tem tudo a ver
A gente pode trocar uma pela outra
Ter vida cheia,
vida nova
vida lua,
vida minguante
Escurecer.
A gente vive por fases
Finda em luar num dia
n'outro amanhece em estrelas.

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